sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Nova tranca

Me embriaguei com textos antigos
embriaguei com os meus sentidos, extintos agora
depois que a porta do meu quarto se quebrou.
Findou a inspiração de ver o mundo acordar diferente,
caminhar com pernas de pau sobre as ruas,
as esquinas a espera de alguém,
como os amores que eu tive, altos, magros, cabeludos, amores guardados no baú.
Acabou de contar as tristes histórias de amor.
Agora quero uma nova tranca pra mim.


Bia Magalhães.

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Aos meus amores

Tens a intensão de magoar?
Tens a intensão de entorpecer?

Ontem no ônibus quando se foi, sentei-me em teu lugar e senti o calor. O calor que foi meu por um momento mas nunca me pertenceu. Veio a tona as pernas, os lábios macios e carnudos, o gosto do beijo, o desejo de ter bem fundo. Os clamores e clemências, as linguás repartido a saliva. Como era doce a tua carne... veio a tona o calor que eu perdi, a infiltração intensa dos sentidos, o amor que nunca me pertenceu.
Agora segue o destino. Lá se vão os dias em que vagam com as impromessas de amor marcadas no peito. Já sabia que iria ser, sempre assim. Procuras amor em cabelos longos, negros, enquanto me deleito em decepções estritamente aceitas pela dignidade que me resta. Enquanto tens o calor, tenho em mim o frio do quarto, vazio. Culpa, ninguém tem de querer ter o que nunca vai se ter, mesmo que tenha sentido o gosto, sabor. Só queria eternizar ou apenas não apagar as lembranças daquele velho carnaval, na cama trêmula, daquela velha festa ao som do reggae, com fim intenso.

E aos meus amores, fica guardada a lembrança, aquele sossego, como um sonho bom.

(Bia Magalhães)

terça-feira, 27 de setembro de 2011

E o meu egoísmo
me deixa subjetivismo
que me leva ao pragmatismo
que ousa me levar ao narcisismos
que me leva a relembrar o historicismos
dos ismos na minha vida.

Eu.

domingo, 21 de agosto de 2011

Eu te acho, mas não te sigo

Você persegue, o tempo segue

Eu padeço em meio tuas mãos

Com outras mãos, contra meus olhos

Aflição, me sufoca na boca do precipício

Já não parece existir um lar, um ar

Melhor dizer, só não existe Eu para Você

Mas para Mim só existe Você e Eu.


B. M.

sábado, 30 de julho de 2011

O que seus olhos veem


Hora passa

Passa voando

Você nem nota

Ao abrir a porta

Um mundo repleto

De escuro, revolta, ignoro

Essa nossa falta de esperança

Não vai ficar bem

Bem nada fica

Se continuar ai nessa Zorra Total

Sai de baixo dessas cobertas

Vai pra frente do espelho

Leia o que seus olhos veem

Veja no que se transforma

O ser ao abrir a porta.


Beatriz Magalhães

terça-feira, 12 de julho de 2011

Já deu o tempo de brincar


A tudo
há torto
Prédios envoltos
Elegantemente enraizados
na porcelana, fundidos
Todos fudendo com o veredito
dado
pelos que brincam
sem querer
acordar.
Brincam sem remendar
a nossa estrada
que
se averiguar
tende a ser curta
como fio tênue
da retina
que insiste
em está cega
para tudo que vê.
Porque há
um muro
construído
na frente.

Assim não pude mais brincar.
Só o concreto se vê lá.
Agora acabou a brincadeira.
Agora acordei.


Beatriz Magalhães

Boca

Minha boca
beija
tua boca
beija
outra boca
outrora
tua língua
lambe
minha língua
lambe
outra língua.


Beatriz Magalhães

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Então não diga nada.


Implausível. Eu admiro o ser que ouve. Escutar é tão ínfimo. Às vezes faz uma falta danada de alguém para ouvir você. As pessoas que te escutam é como se virassem e dessem vários socos no estômago, na mente, no ser. O melhor é ser entendido, em meio a essa confusão sonora, coisa a ser menos compreendida entre os reles mortais... ou até mesmo ignorada. Ignora a quem te ama, e eu cuspo na cara de quem pouco faz das minhas palavras.




B. M.

Mas quem não erra?
Ser onisciente de tudo, do mundo
Se sou ser inconstante, deixa eu ser assim
Pensante que apavora com o dizer
Que contradiz o eu ser
Que não agrada quem ama
Deixa eu gritar pra mim
Mesmo que erre e chore com querer
Arrepender de ter dito e feito
Feito rios que deságuam em uma casa
E desmorona na solidão.

Beatriz Magalhães